{"id":8715,"date":"2014-03-02T10:14:34","date_gmt":"2014-03-02T13:14:34","guid":{"rendered":"http:\/\/categero.org.br\/?p=8715"},"modified":"2014-10-30T20:24:28","modified_gmt":"2014-10-30T23:24:28","slug":"tristezas-e-risos-no-reino-de-ger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/?p=8715","title":{"rendered":"TRISTEZAS E RISOS NO REINO DE GER&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-8718\" alt=\"Nena de Castro\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castro-300x149.jpg\" width=\"300\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castro-300x149.jpg 300w, https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castro.jpg 397w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<address>Cr\u00f4nica\/conto \u00a0de Nena de Castro &#8211; Imortal das Letras de Mariana\/MG, \u00a0de 10\/05\/2011, que inclui poesia de Categer\u00f3 ao final<\/address>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0(Literatura)<\/p>\n<p>Manh\u00e3 de segunda. O dia come\u00e7a com a rotina de todas as casas. Caf\u00e9 cheirando, roupas pra lavar, \u00e1gua pras\u00a0plantinhas&#8230; Minha casa viveu dias dif\u00edceis nos \u00faltimos meses. O perfume do p\u00e9 de lim\u00e3o, e as batidas surdas dos frutos caindo de maduros, nem chamavam mais a aten\u00e7\u00e3o. A escumilha e as samambaias perderam o vi\u00e7o,\u00a0 os colibris desapareceram. Ger estava de luto, descontente, infeliz! Parou de cantar e falar desde o massacre dos alunos na escola carioca. Fui encontr\u00e1-la de cabe\u00e7a para baixo, enfiada em um buraco, debaixo do p\u00e9 de alfazema, s\u00f3 os pezinhos de fora. Chamei, insisti, falei que ela, apesar de ecl\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 avestruz que enfia a cabe\u00e7a em um buraco quando pressente o perigo. O sil\u00eancio foi a resposta&#8230; Convidei pra cantar um tango argentino, ou ler S\u00f3focles, mas n\u00e3o adiantou. (Suspiro) Conhe\u00e7o minha avezinha. Se n\u00e3o queria falar, nem cantar, \u00e9 porque a dor era demasiada. Minha sabi\u00e1, aos poucos, saiu de seu \u201cex\u00edlio\u201d. Mas n\u00e3o falava nem cantava. A\u00ed veio a matan\u00e7a de 98 rolinhas, por envenenamento, no bairro Luxemburgo, em BH. Gertrud se \u201cinternou\u201d de novo. Lady Zefa tentou cham\u00e1-la \u00e0 raz\u00e3o, Bugra Velha disse que ela podia xing\u00e1-la de analfabeta, e otras cositas mas, que n\u00e3o ia revidar com suas frechas certeiras,\u00a0 mas nada! At\u00e9 Kid ficou triste, deixou de latir e deitou-se solidariamente perto do ref\u00fagio da avezinha. Sil\u00eancio total. Tristeza&#8230; Tive medo de que Ger voasse para\u00a0 Pas\u00e1rgada ou Maracangalha, e n\u00e3o voltasse mais. Ent\u00e3o aconteceu algo que fez Ger dar sinal de vida: a not\u00edcia da morte de Bin Laden.<\/p>\n<p>Longe de se alegrar com a morte de algu\u00e9m, o que a avezinha\u00a0 gosta \u00e9 de analisar os acontecimentos, as causas, as inevit\u00e1veis consequ\u00eancias e comparar fatos correlatos, dando seus impag\u00e1veis e terr\u00edveis pitacos. Ger \u00e9 cr\u00edtica por excel\u00eancia, \u00e1cida como lim\u00e3o, desconfiada por natureza: ouviu todas as not\u00edcias, leu as reportagens, coment\u00e1rios afins, e come\u00e7ou a rir.<br \/>\n&#8211; Que isso, Gertrud?- falei espantada. T\u00e1 rindo de qu\u00ea? N\u00e3o entende a seriedade da situa\u00e7\u00e3o? N\u00e3o v\u00ea que v\u00e3o acontecer retalia\u00e7\u00f5es por parte dos fan\u00e1ticos e que todos corremos riscos? Desalmada! Arre!<\/p>\n<p>&#8211; T\u00f4 chorando de rir, porque me lembrei de algumas coisas! Kkkkkkkkkkk!<br \/>\n&#8211; Lembrou o que? Fale depressa, est\u00e1 na hora de fazer almo\u00e7o para minhas crian\u00e7as!<br \/>\n&#8211; R\u00c9, R\u00c9, R\u00c9, R\u00c9! Lembrei de certo pa\u00eds onde\u00a0 os pol\u00edticos enfiavam o dinheiro em malotes, em cuecas, no cesto de verduras, na m\u00e1quina de lavar, nas panelas, nos carrinhos dos beb\u00eas&#8230; Na casa-da-m\u00e3e-joana, maletas pretas iam e vinham, recheadas; propina, mensal\u00e3o mensalinho, vampirismo, ambulanci\u00e1ticas, dinheiro rolante, rolando, viajando,\u00a0 gente enchendo os bolsos em negociatas, negocietas, polonatas e polonetas, e o ex-presidente, dizia sempre que de nada sabia! R\u00c1, R\u00c1 R\u00c1 R\u00c1!<br \/>\n&#8211; E da\u00ed? Todo mundo sabe disso!<\/p>\n<p>&#8211; Sim,\u00a0mas observe que os americanos ca\u00e7aram Bin Laden no Iraque, no Afeganist\u00e3o, na pata-que-o-p\u00f4s, nos desertos e montanhas, ofereceram uma grana maior que a Mega-Sena, e o ilustre senhor morava numa fortalezazinha no Paquist\u00e3o, debaixo da prote\u00e7\u00e3o do governo! Pegas com as cal\u00e7as nas m\u00e3os, as autoridades paquistanesas declararam\u00a0 ignorar completamente\u00a0 que o terrorista estava no pa\u00eds! Tem governo que \u00e9 cego, ou se finge de morto, servindo a dois senhores: os d\u00f3lares americanos e a ideologia de Bin Laden. \u201cN\u00e3o sabiam\u201d.\u00a0 Sei&#8230; Conta outra. Esta foi muito boa!<\/p>\n<p>Gertrud riu at\u00e9 sentir dor de barriga. Kid latiu, Bugra Velha fez uma dan\u00e7a tribal, Lady Zefa voltou a seu livro.\u00a0 Tudo normal. Deixei a farra l\u00e1 fora e fui lavar o arroz, cortar as cenouras, adiantando o almo\u00e7o. A\u00ed me lembrei que deixei de comentar com minha turma uma faixa que vi ontem, em Valadares, anunciando o fim do mundo para o pr\u00f3ximo dia 21. Deixa pra l\u00e1. Tenho muito o que fazer nesta segunda-feira.\u00a0 E n\u00e3o vou aguentar ouvir as risadas imorais da minha sabi\u00e1. Por hoje, chega de furdun\u00e7o! E LA NAVE VA&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><strong>POESIA SEMPRE<\/strong><\/p>\n<p>(Para o Cumpadi Nini das Candongas)<\/p>\n<p>Santo Ant\u00f4nio de Categer\u00f3<br \/>\nNa Igreja de Nossa Senhora do \u00d3<br \/>\nFa\u00e7a com que os homens se entendam<br \/>\nDentro de um mundo s\u00f3.<\/p>\n<p>E que gorgeiem, todos,<br \/>\nnuma l\u00edngua s\u00f3.<br \/>\nE que cada palavra tenha um sentido s\u00f3,<br \/>\npara todos<br \/>\ne que todos sejam um s\u00f3.<\/p>\n<p>\u201cNem orgulho, nem d\u00f3,<br \/>\nnem Osama, nem Obama,<br \/>\nMas uma coisa s\u00f3:<br \/>\nque haja paz entre os homens,<br \/>\nMeu santo Ant\u00f4nio de Categer\u00f3\u201d!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castsro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8719\" alt=\"Nena de Castsro\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nena-de-Castsro.jpg\" width=\"148\" height=\"196\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica\/conto \u00a0de Nena de Castro &#8211; Imortal das Letras de Mariana\/MG, \u00a0de 10\/05\/2011, que inclui poesia de Categer\u00f3 ao final \u00a0(Literatura) Manh\u00e3 de segunda. 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