{"id":7230,"date":"2014-02-06T09:20:42","date_gmt":"2014-02-06T12:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/categero.org.br\/?p=7230"},"modified":"2014-10-30T20:14:01","modified_gmt":"2014-10-30T23:14:01","slug":"cortina-rasgada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/?p=7230","title":{"rendered":"Cabo Frio\/RJ &#8211; Conto: Cortina Rasgada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Rodney-dos-Santos-Aragon-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-7729\" alt=\"Rodney dos Santos Aragon-1\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Rodney-dos-Santos-Aragon-1-300x149.jpg\" width=\"300\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Rodney-dos-Santos-Aragon-1-300x149.jpg 300w, https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Rodney-dos-Santos-Aragon-1.jpg 397w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um conto de\u00a0<b>Rodney Dos Santos Arag\u00e3o \u00a0\u00a0<\/b>(Literatura)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Mario sa\u00eda da f\u00e1brica \u00e0s dezoito horas. Como era hor\u00e1rio de ver\u00e3o, ainda era dia claro.Com a cal\u00e7a jeans suja da lide, a camisa ao qual trocara \u2013 na hora da sa\u00edda pelo jaleco que enfiara na mochila \u2013 aos poucos ia encardindo pelas m\u00e3os ainda sujas.E havia o trem que sacolejava cheio e borbulhante como detergente dentro da \u00e1gua.E ele, pardavasco, mi\u00fado e fortinho, escorava-se na porta do trem mesmo; e nem o sacolejo continuo nem tampouco o borbulhar confuso de vozes o distraia do seu sagrado cochilo de cansa\u00e7o mesmo.E enquanto fechava os olhos via-se em casa, e ao logo os abria: nem se surpreendia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"> Agarrava-se a mochila com o encabulado medo que a marmita fosse chacoalhar. Ainda assim, se algu\u00e9m se importasse, como dar atento a ouvir isto com tamanha algazarra dentro do comboio.<br \/>\nTodo sub\u00farbio varria-se em um flash aos que estavam ao trem, e tudo se perdia como tudo era mesmo t\u00e3o habitual e familiar.<br \/>\nE de repente estava-se assim numa esta\u00e7\u00e3o onde o verde se apresentava em morros fechados e o ar era frio ou t\u00e3o banalmente \u00famido como de um brejo.<br \/>\nE era a rua de sempre, de todo dia que Mario tomava t\u00e3o familiarmente nos passos com aqueles t\u00eanis j\u00e1 gastos. Ruas de areia, mal iluminadas; com um poste de madeira aqui ou acol\u00e1, em uma fraca luz azulada.E tudo j\u00e1 era escuro; os matos, ao seu lado, cantavam pelo interm\u00e9dio dos grilos.<br \/>\nMario sorria sozinho no escuro a caminho de casa, satisfeito com o pr\u00f3prio cansa\u00e7o. E olhando uma casa ou outra, antes de chegar a sua, mal iluminada e \u00famida, pensava na sua, na sua m\u00e3e&#8230;e muito t\u00e3o logo naquela namorada.<br \/>\nAh, aquela mo\u00e7a que se pinta t\u00e3o sem charme, usa perfume com cheiro de flor fenecida, e no botequim \u00e0 beira da esta\u00e7\u00e3o \u2013 onde ele freq\u00fcenta \u2013 sempre pede forro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Ah, seu T\u00e1quio, bota um arrasta-p\u00e9 para gente dan\u00e7ar, coloca&#8230;<br \/>\n\u00c9 menina t\u00e3o nova, direita mesmo cheia de fogo, s\u00f3 aceita dan\u00e7ar com Mario. \u00c9 que Mario \u00e9 rapaz trabalhador, novo, &#8230;bonito, e por ser arrimo de fam\u00edlia \u2013 ela que caipira e fora de moda \u2013 sonha que ele ser\u00e1 bom marido.Ela n\u00e3o diz nada, mas o olha assim como quem j\u00e1 diz isto quando entra no botequim com o pretexto de comprar chiclete, e do balc\u00e3o fica o olhando na sinuca, e ele chega a se distrair no taco e erra os buracos provocando a pilh\u00e9ria dos camaradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mario sorri pra o seu feliz cansa\u00e7o quando transp\u00f5e o port\u00e3o de madeira da cerca de arame enfarpado do seu quintal. E sua casa, de tijolo cru, tem o quintal iluminado por um bico de luz dependurado no enorme abacateiro.Invade a alma do oper\u00e1rio o cheiro \u00famido do seu brejo, do seu lar; o que j\u00e1 vai arrefecendo o cansa\u00e7o.Mario olha tudo com uma satisfa\u00e7\u00e3o, antes de entrar onde a porta j\u00e1 se encontra aberta, como se para certificar que o simples dali \u00e9 t\u00e3o real.\u00c9 tal como se achasse merecesse ter de mais de Deus.E raciocina enfim: sou merecedor.Sente uma bandeira da paz, dentro da sua alma, flamando, flamando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som de uma coruja l\u00e1 na escurid\u00e3o aconchegante do seu quintal, e sua quase velha m\u00e3e sentada, na penumbra da luz da televis\u00e3o, numa poltrona de couro j\u00e1 rasgada.<br \/>\n-B\u00ean\u00e7\u00e3o, m\u00e3e \u2013 diz ele se detendo \u00e0s costas dela, e pondo, respeitosamente, a sua m\u00e3o sobre o ombro dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A velha coloca sua m\u00e3o sobre a dele, ao seu ombro e diz tentando enxerga-lo de vi\u00e9s:<br \/>\n-Deus te aben\u00e7oe, meu filho \u2013 avisa \u2013 j\u00e1 tem janta pronto.<br \/>\nDepois do banho frio, ele sai de short apenas, com a toalha em volta dos ombros. Detem-se ao corredor entre a cozinha e a sala, onde a luz ilumina os dois c\u00f4modos parcialmente.<br \/>\nA televis\u00e3o preta e branca, em cima de uma mesinha bamba, ilumina argentinamente a face c\u00e2ndida da mulher que envelhecera t\u00e3o precoce. Ao intervalo da novela, ela se levanta claudicante em dire\u00e7\u00e3o a cozinha.\u00c1gil, apesar do jeito desanimado, vai mexendo no arm\u00e1rio a pegar prato, e logo mexe nas panelas onde supre o prato e coloca sobre a mesa tosca de madeira forrada com oleado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mario senta-se \u00e0 mesa e vai devorando o prato de comida ainda fumegante, enquanto ouve a m\u00e3e reclamar mais uma vez da aus\u00eancia da filha que se casou e n\u00e3o vem visit\u00e1-la.<br \/>\nFalando de boca cheia, Mario vai enveredando a mudar de assunto, dizendo sobre comprar uma televis\u00e3o colorida.<br \/>\n-Para que \u2013 diz a pobre mulher \u2013 bobagem por bobagem tanto se faz com cor ou sem cor.<br \/>\nMario ri de boca cheia mastigando, reconhecendo na pr\u00f3pria m\u00e3e a sua personalidade avessa ao banal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0Santo Ant\u00f4nio do Categer\u00f3, no orat\u00f3rio, dentro do seu denso quarto era o \u00fanico luxo de sua vida t\u00e3o simples, e ao lado do sacro santo o retrato do seu falecido, no tempo que ainda era jovem e usava longas su\u00edssas.<br \/>\nAlisava o retrato e dizia de si para si ou para a imagem do santo:<br \/>\n-Mas, \u00e9 a cara do Mario. Nunca vi um filho parecer tanto com o pai.<br \/>\nE cuidava-o com tanto esmero; acordando cedo quando ele acordava, preparando-lhe o caf\u00e9, duas fatias de p\u00e3o com ovos estrelados, a marmita, e mesmo lembrando-o do que tinha que levar sempre.<br \/>\n-Ele merece um t\u00eanis novo \u2013 disse quando o viu saindo pela madrugada, ainda escura, rumo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE com isto, no que se queixava da filha que n\u00e3o vinha visit\u00e1-la, j\u00e1 planejava. Sabia que ele n\u00e3o se preocuparia, ent\u00e3o ela tomaria a frente.Havia por isso um cuidado a certo tr\u00eas meses, de economizar um pouquinho da pens\u00e3o para a grande empreitada.<br \/>\nMario deitou-se no seu quarto apertado, sobra sua cama de colch\u00e3o de capim, com duas id\u00e9ias: (&#8230;) e aquela mo\u00e7a que adora o convidar com os olhos para dan\u00e7ar forr\u00f3 no boteco junto da esta\u00e7\u00e3o&#8230; O nome dela, o nome dela (&#8230;) e dentro da escurid\u00e3o do seu quarto, na quietude morna o sono vem e fecha-se em um nome: Hosana.<br \/>\nEla \u00e9 como uma cigarra numa tarde seca de ver\u00e3o. \u00c9 assim a alegria de Hosana que n\u00e3o sabe nada al\u00e9m daqueles morros verdes e densos que a norteia.<br \/>\nEla gosta at\u00e9 do cheiro da cacha\u00e7a choca, por\u00e9m \u00e9 muito mo\u00e7a direita e sabe muito bem o homem certo e justo que lhe \u00e9 o sapato velho que lhe cabe ao p\u00e9.<br \/>\nEla bate na porta dele. Acho que \u00e9 um domingo, um domingo ensolarado e feito para ela que \u00e9 alegre e esparsa como uma cigarra.Ela chama, j\u00e1 dentro do quintal, e a velha a olha t\u00e3o agradecida.<br \/>\n-posso pegar pitangas, D.Dalva \u2013 pede com alegria e humildade, como se pedisse um pouco das maiores riquezas de algu\u00e9m.<br \/>\nA pitangueira carregada, quase junto da cerca com as roseiras, que Dalva plantara e cuida todo dia. Hosana enche todo saco vazio \u2013 que j\u00e1 fora de feij\u00e3o \u2013 com as frutinhas, sobre a observa\u00e7\u00e3o alegre da velha.Ela n\u00e3o entende o prazer da mocinha naquela frutinha, nem mesmo o canto da cigarra no desperd\u00edcio da tarde, nem mesmo a saia comprida numa mo\u00e7a de aspecto t\u00e3o lou\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOlhando para o saco cheio de pitangas ela interroga:<br \/>\n-O Mario est\u00e1 ai?<br \/>\n-L\u00e1 na sinuca.<br \/>\nAs duas est\u00e3o frente a frente e n\u00e3o conseguem se encarar, embora t\u00e3o satisfeita uma com a outra. V\u00eaem-se numa perspectiva imposs\u00edvel de ser mudada.E ainda existe a pitangueira, e a cigarra insiste ao &#8211; mesmo tempo &#8211; que a mo\u00e7a ganha a rua, ap\u00f3s agradecer as pitangas, num alvoro\u00e7o alegre de encontro ao destino.<br \/>\nA velha recolhe-se ao abafado como um santo de gesso que n\u00e3o ag\u00fcenta a claridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe que lugar \u00e9 este no momento em que se est\u00e1 numa cidade que cheira quente toda iluminada quando ainda nem estiver escuro. E as faces, pelos televisores coloridos na vitrine, mostram os movimentos arco-\u00edris da burguesia.<br \/>\nA burguesia locomove-se e ri para o prolet\u00e1rio infeliz que sua enquanto pensa, pensa. \u00c9 t\u00e3o necess\u00e1rio estar a par das cores da burguesia \u2013 pensa Mario vidrado na vitrine.E sabe quem tem que ser r\u00e1pido ou perder o trem \u00e9 se atrasar.<br \/>\nMas nunca a cidade, a migalha da migalha da burguesia o fascinou tanto. Ele, c\u00f4nscio, que \u00e9 apenas isto: a migalha de uma burguesia que arrota, uma pequena burguesia.<br \/>\nEle enxerga no certo clima abafado de fim de ano, uma d\u00fabia, por\u00e9m t\u00e3o atraente alegria. E deixa-se, deixa-se, vai se deixando com a desculpa que \u00e9 pela m\u00e3e, pela m\u00e3e, que velha t\u00e3o cedo ficara de esmero por ele.<br \/>\nProva a migalha que a burguesia deixa cair da mesa, e prova sofregadamente todas \u00e0s migalhas que v\u00e3o caindo, e se esquece que vai perdendo a vergonha, e at\u00e9 mesmo achando bonito e fascinante o que faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouca gente da pouca gente dali se aventuraria e D.Dalva se aventurou, e aventurou-se alegre. O trem \u2013 o sub\u00farbio sujo que n\u00e3o era o final da esta\u00e7\u00e3o \u2013 a sapataria empoeirada.Os pre\u00e7os em cartazes vermelhos diziam: ofertas; e ela contando o dinheiro que juntara para ver, se ao certo, daria.O balconista bebendo a \u00e2nsia da migalha da pobre senhora ali a conta-gotas.E suas m\u00e3os tr\u00eamulas num sorriso tr\u00eamulo no rosto.O balconista a entregou a caixa com o par de t\u00eanis dentro, em m\u00e3os tr\u00eamulas tamb\u00e9m, j\u00e1 que a loja estava seca como o dia amarelo naquele bairro esquecido.A mo\u00e7a do caixa, fingia olhar distra\u00edda para o nada enquanto o desejo era sorrir para aquela senhora que lhes era a \u00fanica freguesa em horas.Deviam cuidar em cultiva-la ou perder-se-ia todo o dia&#8230;<br \/>\nD.Dalva saiu pronta para voltar, numa felicidade em que mais nada cabia. No trem, segurava a caixa com uma aten\u00e7\u00e3o&#8230;e bem j\u00e1 se vivia tudo, uma vida inteira.O para sempre chegara com sua primavera florida ao meio de tanta poeira.<br \/>\nDentro de sua casa, de paredes desembocadas, ela bem prestou aten\u00e7\u00e3o no que fizera afinal. Deixara, de flagrante, a caixa em cima da cama do filho.Tentou se sentar e ver televis\u00e3o, mas a euforia a chamava como para se embriagar numa ansiedade feliz e v\u00e3.<br \/>\nA tarde foi cedendo ao apito sinistro da cigarra, e f\u00e1brica l\u00e1 quem sabe&#8230;<br \/>\nMas a noite veio em queda escura e \u00famida, e a velha cochilou sem sonho na sua poltrona de sempre, com a velha televis\u00e3o &#8211; apenas para iluminar \u2013 ligada.<br \/>\nE dormindo quase, Dalva sentiu uma presen\u00e7a. N\u00e3o uma presen\u00e7a, mas a \u201cpresen\u00e7a\u201d, e sentiu cores na sua face esqu\u00e1lida entre a penumbra que ela dormitava.Abriu os olhos e estava o filho a sorrir, e a nova televis\u00e3o no lugar da ent\u00e3o.E apesar da certa felicidade que a tomou, acudiu uma miseric\u00f3rdia: onde estava a outra televis\u00e3o?<br \/>\nMas, vendo o filho contente, achou-se contente. E onde ele pusera a outra televis\u00e3o?Insistia a indaga\u00e7\u00e3o dentro da pobre feliz senhora, mesmo quando ela se levantou e o abra\u00e7ou t\u00e3o forte e sincera, feliz embora certa fatia de indigna\u00e7\u00e3o: afinal tinha ela perdido o brio tamb\u00e9m, aquele brio empoeirado e t\u00e3o fora de uso. Mas se era o que de melhor podiam ter e trocaram por t\u00e3o pouco.Agora era tarde para se lamentarem, o mal j\u00e1 estava feito.<br \/>\n-Eu j\u00e1 vi o par de t\u00eanis novos \u2013 falou ele ao ouvido da m\u00e3e no abra\u00e7o.<br \/>\nDalva ent\u00e3o se tranq\u00fciliza. Sabe o destino da sua velha televis\u00e3o.Agora a burguesia joga seu lixo em cores sobre o rosto p\u00e1lido ou quase cinza de Dalva e seu filho, e ela ainda acha muita gra\u00e7a, muito feliz.A pequena burguesia, como se n\u00e3o bastasse vomitar arrog\u00e2ncia, agora \u00e9 colorida e m\u00e1gica, para provar a empoeirada senhora que ela n\u00e3o \u00e9 nem a poeira que chega aos seus m\u00f3veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia seguinte madrugara diferente como a noite anterior dormira. Os canh\u00f5es foram vencidos por bra\u00e7os fr\u00e1geis que se puseram \u00e0 frente.<br \/>\nE as duas fatias de p\u00e3o, entre os dois ovos fritos, tinham no c\u00e9u da boca de Mario um paladar diferente do habitual. Era como se pensasse al\u00e9m de rabanadas para o natal, se vendo o velho coador de pano que a m\u00e3e passava o caf\u00e9 fora para junto do que se exibia no novo mundo dentro da televis\u00e3o.<br \/>\nNo trem, de p\u00e9, pouco cochilou olhando os t\u00eanis novos. Achou-se bonito, e pensou quando hosana v\u00ea-lo de t\u00eanis novos certamente vai acreditar na possibilidade.<br \/>\nSentiu-se um novo homem.<br \/>\nE no durante a tarde em que tudo j\u00e1 se acudira bem que Dalva tentou, tentou ficar s\u00e3 e distra\u00edda com suas rosas que desabrochavam vermelhas na sua roseira junto \u00e0 pitangueira. Ela n\u00e3o podia se negar, estava tudo t\u00e3o doce e irresist\u00edvel at\u00e9 mesmo que se explodisse&#8230;<br \/>\nHosana chamou ao port\u00e3o para pegar pitangas, e Dalva pode contentar-se que era preciso e certo que ela tomaria conhecimento.<br \/>\nA mo\u00e7a colocou a rosa, que a velha lhe dera, entre os cabelos alvoro\u00e7ados, e do umbral da porta viu que ela via ao mesmo tempo, exibia sua televis\u00e3o em cores.<br \/>\n-O Mario que comprou? E sem esperar resposta disse com tanto riso: \u00e9 linda, parab\u00e9ns D.Dalva, a senhora merece.<br \/>\nA velha sorriu t\u00e3o boba de frente para a televis\u00e3o.<br \/>\nE o mundo acabava-se de felicidade num cotidiano que fino como barbante, embora, nunca se rompia.<br \/>\nAssim era sempre o sol e o c\u00e9u azul sem pensar nos dias nublados.<br \/>\n15 DE SETEMBRO DE 2004<\/p>\n<p>Autor:\u00a0<b>Rodney Dos Santos Arag\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Publicado no Recanto das Letras em 07\/06\/2008<br \/>\nC\u00f3digo do texto: T1024312<\/p>\n<table border=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td>Esta obra est\u00e1 licenciada sob uma\u00a0<a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.5\/br\/\" target=\"_blank\">Licen\u00e7a Creative Commons<\/a>. Voc\u00ea pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado cr\u00e9dito ao autor original\u00a0<i>(Rodney Arag\u00e3o)<\/i>. Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer uso comercial desta obra. Voc\u00ea n\u00e3o pode criar obras derivadas.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Link de proced\u00eancia:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/contoscotidianos\/1024312\">http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/contoscotidianos\/1024312<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um conto de\u00a0Rodney Dos Santos Arag\u00e3o \u00a0\u00a0(Literatura) Mario sa\u00eda da f\u00e1brica \u00e0s dezoito horas. 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