{"id":6592,"date":"2014-01-20T16:14:04","date_gmt":"2014-01-20T19:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/categero.org.br\/?p=6592"},"modified":"2014-02-18T15:54:19","modified_gmt":"2014-02-18T18:54:19","slug":"resumo-da-vida-de-categero-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/?p=6592","title":{"rendered":"Resumo da Vida de Categer\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Um sinal prof\u00e9tico de compromisso com os pobres<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Texto elaborado pelo Mons. Salvatore Guastella para este Portal<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Beato Antonio Et\u00edope\u00a0ou Santo Ant\u00f4nio de Categer\u00f3<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/resumo-da-vida-21.bmp\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6589\" alt=\"resumo da vida 2\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/resumo-da-vida-21.bmp\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na atormentada hist\u00f3ria da Europa da primeira metade do s\u00e9culo XVI, encontramos a vida de Ant\u00f4nio, o Et\u00edope. Nascido em Barco de Cirene (L\u00edbia) de fam\u00edlia maometana, religi\u00e3o que ele professou at\u00e9 que, por um acidente providencial, foi capturado e deportado para a Sic\u00edlia, em Siracusa. Foi comprado como escravo por um agricultor de Avola, um certo John Landanula (ou Landolina) que lhe confiou seu rebanho. John percebeu que aquele seu servo era bastante inteligente, de cora\u00e7\u00e3o sincero, de \u00edndole nobre, honesta, e respeitosa. Ent\u00e3o exortou-o, pela palavra e pelo exemplo &#8211; a renunciar ao Isl\u00e3 pela f\u00e9 crist\u00e3 &#8211; projeto cujo \u00eaxito confiou \u00e0 provid\u00eancia divina. O servo bom mostrou-se prontamente disposto \u00e0<\/p>\n<p>catequese, embora ainda quisessem investigar a nova religi\u00e3o que ele pretendia abra\u00e7ar o mais rapidamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Foi batizado pela Igreja e passou a chamar-se Ant\u00f4nio em homenagem a Santo Ant\u00f4nio. Adorava os pobres, fugia do \u00f3cio e passava seu tempo de folga do trabalho, em ora\u00e7\u00e3o. Dedicou-se em nome de Jesus e nunca falhou para corrigir qualquer um que usasse o nome de Deus em v\u00e3o. Alimentava em si um esp\u00edrito constante de arrependimento dos pecados recorrendo \u00e0 dor, no primeiro per\u00edodo de sua vida.<\/p>\n<p>Durante os 38 anos em que viveu no territ\u00f3rio avolense desfrutou de uma reputa\u00e7\u00e3o de homem exemplar, s\u00f3brio e, com sua caridade, conquistou os cora\u00e7\u00f5es de toda gente. Ele costumava vir regularmente a partir da campanha avolense \u00e0 Igreja de Santa Venera bem vagaroso para a confiss\u00e3o e comunh\u00e3o. Tamb\u00e9m para alimentar a l\u00e2mpada do santu\u00e1rio, no altar de S\u00e3o Tiago Ap\u00f3stolo, ele cuidava as flores e conseguiu enriquecer o altar com um frontal e um par de casti\u00e7ais. Don Nicholas Cascone, que por muitos anos foi seu confessor em Santa Venera, disse: &#8220;Tony tem progredido de virtude em virtude e de bom para melhor, tem praticado como um filho espiritual durante 15 anos, e eu o tenho avaliado um homem caridoso, paciente e casto, zeloso no servi\u00e7o de Deus e n\u00e3o vi nele a m\u00ednima falha, por menor que fosse.&#8221; Enquanto isso, o fazendeiro John casa dois de seus netos com dois irm\u00e3os de Noto: Vincent e Michele Giamblundo e como parte do dote d\u00e1-lhes seu rebanho e o escravo l\u00edbio, recomendando muito que o tratassem muito bem. Desde ent\u00e3o, Ant\u00f4nio viveu em Noto com seus novos propriet\u00e1rios que lhe indicam as pastagens onde levar as ovelhas e onde construir um galp\u00e3o e o nomeiam capataz -chefe dos pastores para o rebanho numeroso da grande propriedade de Celso. Este of\u00edcio Antonio ir\u00e1 exercer com precis\u00e3o e grande bondade para com os pastores subordinados, incentivando a honestidade profissional. Mesmo neste novo ambiente a vida de Antonio ocorre com o mesmo ritmo de trabalho e ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em considera\u00e7\u00e3o \u00e0s qualidades sobrenaturais e aos milagres que tanto admiravam em Ant\u00f4nio Et\u00edope e temendo manter como escravo um amigo de Deus, Michele e Diamblundo Vincenzo deram-lhe a liberdade: \u201c por sua bondade e vida santa, e porque \u00e9 muito caridoso e paciente\u201d. Os quatro anos de servi\u00e7o volunt\u00e1rio, depois de obtida a liberdade, s\u00e3o tamb\u00e9m vividos com dedica\u00e7\u00e3o por Ant\u00f4nio, sem descuidar quaisquer dos deveres de zammataro.<\/p>\n<p>&#8220;Livre da escravid\u00e3o dom\u00e9stica, dedicou-se ao voluntariado no hospital de Noto. Assistia diariamente \u00e0 missa e participou de um grupo de ora\u00e7\u00e3o. Leu a vida dos santos, muitas vezes, um incentivo para imit\u00e1-los. Ele queria imitar, especialmente, a vida do Beato Conrad Piacentino: vestiu por isso o h\u00e1bito de terceiro franciscano, recebido das m\u00e3os do guardi\u00e3o do convento de S\u00e3o Netino Jesus e Maria e se retirou para o deserto de Pizzoni, onde levou uma vida mais angelical que humana. Nas vezes em que Ant\u00f4nio veio a Noto, o povo saiu \u00e0s ruas, alguns para v\u00ea-lo, outros para beijar sua m\u00e3o e muitos para recuperarem-se de uma doen\u00e7a. Disseram aqueles que o tratavam familiarmente: &#8220;Nunca o vi zangado, mesmo quando provocado, em vez disso, mostrava-se mais leve e calmo para que todos se maravilhassem.&#8221; Um dia ficou doente, em Noto. Sentindo seu fim chegando, quis receber os sacramentos e entregar a alma devotamente a Deus e o fez em 1550, a 14 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Seu corpo foi enterrado, por sua pr\u00f3pria vontade, na igreja desse convento de Observantes Menores. Tanta estima e devo\u00e7\u00e3o popular para o negro ermit\u00e3o humilde, recebeu a admira\u00e7\u00e3o do hist\u00f3rico Netino Littara Vincent (1550-1602) que nasceu no ano de sua morte, ent\u00e3o a ele cantou: &#8220;Voc\u00ea admira o et\u00edope, guardi\u00e3o purzo vezes e de uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, para dispor seu corpo submetido \u00e0 escravid\u00e3o de que ele tinha plena consci\u00eancia. Embora tivesse todos os membros de seu corpo em cor escura tinha a alma mais branca que a neve. Apenas a realidade corresponde ao teste de como um verdadeiro crente dizendo &#8220;direito de et\u00edopes continuar\u00e1s na fileiras do Senhor&#8221; (Salmo 67). Ser\u00e1 o grande n\u00famero de milagres que ele interceder\u00e1. Contanto que confiou \u00e0 Igreja a guarda de seu corpo em uma arca de madeira. N\u00e3o \u00e9 digno ser privado de um culto voltado para sua venera\u00e7\u00e3o &#8221; &#8220;O ano de 1599, 13 de abril: no reconhecimento &#8211; seu corpo foi encontrado intacto e incorrupto.<\/p>\n<p>Na vida e depois da morte foi conhecido por muitos milagres. Era chamado de &#8220;o negro&#8221; pela cor de sua pele, sendo ele filho de pais Africanos. Foi anunciado como Santo Negro pela distintiva santidade de sua vida.&#8221; Em 1611 \u00e9 dada licen\u00e7a para divulgar a imagem com a aur\u00e9ola de beato. No s\u00e9culo XVII, o exemplo de sua vida \u00e9 proposto principalmente para os negros escravizados no Brasil, vindos da \u00c1frica: l\u00e1 \u00e9 chamado de &#8220;Santo Ant\u00f3nio de Categer\u00f2&#8221; (ou Cartagen\u00e8s) por sua origem Africana. Em 24 de janeiro de 1978, na igreja S.Maria de Jesus, em Noto, o bispo Mons.Salvatore Nicolosi faz o reconhecimento can\u00f4nico da ossada do Beato Ant\u00f4nio Aerthiopis, doando o bra\u00e7o direito \u00e0 par\u00f3quia de Nossa Senhora do \u00d3, em S\u00e3o Paulo (Brasil)<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do Congresso Diocesano (11-12 \u2013 janeiro, 1992) em &#8220;imigrantes de boas-vindas, hoje,&#8221; o Beato Ant\u00f4nio foi escolhido como o Protetor da caridade diocesana, porque \u00e9, hoje, sinal prof\u00e9tico e ecum\u00eanico que interpela nossa consci\u00eancia crist\u00e3 a ser capaz de acolher a tantos imigrantes da \u00c1frica. Um n\u00famero sempre maior tem vindo habitar a It\u00e1lia e a Europa. Em cada um deles devemos ser capazes de ver um irm\u00e3o em Cristo, nosso Salvador. &#8220;A mem\u00f3ria do Beato Ant\u00f4nio Et\u00edope &#8211; escravo negro do s\u00e9culo XVI, convertido ao Cristianismo, que viveu em Avola e Noto como exemplar e her\u00f3ico testemunho evang\u00e9lico, a ponto de ser venerado, hoje, no Brasil com um culto popular muito v\u00edvido &#8211; fortalece a nossa consci\u00eancia de estarmos envoltos em um plano equilibrado e abrangente de amor do Pai comum a toda humanidade.&#8221; (Mons Nicolosi) Em 2003, ap\u00f3s o encerramento do Giavanti Institute, disse o guardi\u00e3o da igreja: a arca de madeira com o corpo do beato negro foi transferida para a Capela Franciscana da Imaculada Suire de Lipari, Via Silvio Spaventa, 33<\/p>\n<p>Notas de rodap\u00e9<\/p>\n<p>1. Dele eu publiquei dois livros: &#8220;FRATELLO NEGRO, Antonio di Noto, detto l\u2019Etiope&#8221; (p\u00e1gina 140). Noto 1991 e &#8220;LUI E NOI PER LORO. Fontes de arquivos e documentos em B. Antonio de Noto e Avola (1550), dito o et\u00edope, ou &#8216;de Categer\u00f2&#8217; &#8220;(p\u00e1gina 240). Noto, 2000.<\/p>\n<p>2. Sobre a escravid\u00e3o dom\u00e9stica na Sic\u00edlia entre os s\u00e9culos XV e XVI, Charles Verlinden oferece uma excelente vis\u00e3o em seu Ensaio Escravid\u00e3o e Economia no sul no in\u00edcio da era moderna (Annali del Mezzogiorno, III, 1983, 11-18).Corrado Avolio, tratando da escravid\u00e3o dom\u00e9stica na Sic\u00edlia no sec. XVI, observa que a longa exist\u00eancia desta ferida feia foi completamente esquecida pelos sicilianos, embora tenha sido um triste privil\u00e9gio da ilha. No que concerne ao ilustre dialet\u00f3logo de Noto, a partir de registros de not\u00e1rios de Noto e dos cart\u00f5es do mosteiro do Sant\u00edssimo Salvador, \u00e9 poss\u00edvel perceber a presen\u00e7a de mais de 60 escravos.<\/p>\n<p>3. Processo informativo diocesano, Noto 1550, teste n.9.<\/p>\n<p>4. Antigamente, o domingo, &#8220;dia do Senhor&#8221;, tornara-se o dia da reconcilia\u00e7\u00e3o no seio da comunidade dos irm\u00e3os na f\u00e9, e a data mais adequada e significativa para emancipar seus escravos oficialmente, restaurando-lhes a plena liberdade. Vamos imaginar que, deste modo, o escravo Ant\u00f4nio foi libertado no sinal da \u00e1gape eucar\u00edstica. N\u00e3o tinham os Giamblundo decidido &#8220;N\u00e3o ter mais por escravo algu\u00e9m que Deus tinha por amigo?&#8221;<\/p>\n<p>5. &#8220;Custodem pl\u00e1cida immistum minoris ovilis Aethiopem, quamvis corpore mente servil ing\u00eanuo: quamvuis Totosi pice nigrior artus, ast animam nive Candidior, King comprobat ipsa, quam ditado verdadeiro, aethiopum \u00e6quo pr\u00e6ibit manus. M\u00faltiplas monstrabit miracula rerum, donec signipedum mandarit Templo corpus et ipsum n\u00e3o defraudandum Cultus venerationis honra &#8220;(Vincenvo Littara, Conradias, L. VIII, 296-303. Tradu\u00e7\u00e3o Corrado Gallo).<\/p>\n<p>6. De um Martirol\u00f3gio Franciscano, publicado em Paris, em 1653. A vida do nosso Antonio terci\u00e1rio tamb\u00e9m foi escrito por Antonio Da\u00e7a, La vita e i miracoli di fratel Antonio de Categer\u00f2 (l&#8217;Etiope) santo negro del T.O.F., reunidos a partir de tr\u00eas processos aut\u00eanticos e de noventa testemunhos juramentados. Valadolid, 1611.<\/p>\n<p>Bispo de\u00a0Noto, 12 de junho\u00a0de 1978.\u00a0A partir da esquerda\u00a0Don\u00a0Ottavio\u00a0Ruta, P.\u00a0Alberto\u00a0Morinimission\u00e1rio\u00a0St.\u00a0Paulo, o bispo\u00a0Dom\u00a0Salvatore\u00a0Nicolosi,\u00a0Con.\u00a0No\u00e9\u00a0Rodrigues\u00a0par\u00f3quia de\u00a0NossaSenora\u00a0do \u00d3\u00a0(S.\u00a0Paulo) e\u00a0Mons.\u00a0Guastella. (No Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Um sinal prof\u00e9tico de compromisso com os pobres Texto elaborado pelo Mons. 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