{"id":6359,"date":"2014-01-15T15:18:06","date_gmt":"2014-01-15T18:18:06","guid":{"rendered":"http:\/\/categero.org.br\/?p=6359"},"modified":"2014-03-02T09:27:33","modified_gmt":"2014-03-02T12:27:33","slug":"origem-da-batina-preta-em-categero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/?p=6359","title":{"rendered":"Origem da batina preta em Categer\u00f3"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6360\" alt=\"origem da batina 1\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-1.jpg\" width=\"300\" height=\"154\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><b>Cor preta do luto, de negro e escravatura ou, de homenagem aos Jesu\u00edtas&#8230;<\/b><\/p>\n<p>A imagin\u00e1ria brasileira foi bastante criativa ao conceber os atributos f\u00edsicos do beato Ant\u00f4nio de Categer\u00f3. Nasce o negro jovial extravasado no barroco que vem at\u00e9 os nossos dias e j\u00e1 se entremeia com concep\u00e7\u00f5es modernas. Contudo, sua concep\u00e7\u00e3o se d\u00e1 com a aus\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da realidade ou com a distor\u00e7\u00e3o delas. Por isso nosso Categer\u00f3 tem um distanciamento da realidade fatual e foi dotado de uma vasta diversidade.<\/p>\n<p>Nosso objetivo \u00e9 entender como se processou essa cria\u00e7\u00e3o tentando identificar, mesmo que sem qualquer pretens\u00e3o de valida\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico\/cient\u00edfica, \u00a0que vari\u00e1veis nortearam o direcionamento da cria\u00e7\u00e3o que redunda com as concep\u00e7\u00f5es das primeiras imagens. \u00a0Vale lembrar que as duas primeiras est\u00e1tuas n\u00e3o t\u00eam documenta\u00e7\u00e3o de origem e seus administradores n\u00e3o sabem precisar os dados t\u00e9cnicos de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao in\u00edcio deste trabalho est\u00e3o generalizadas as quest\u00f5es de um estudo explorat\u00f3rio dos usos e costumes sobre as batinas do beato, Estamos na quinta abordagem tratando especificamente da origem da batina preta em Categer\u00f3. J\u00e1 tratamos da batina cinza, das batinas em padr\u00f5es floreados e da necess\u00e1ria universaliza\u00e7\u00e3o da batina marrom em sua identidade franciscana.<\/p>\n<p>Ma precisamos ser recorrentes e retomamos o conceito j\u00e1 exposto da origem da estatu\u00e1ria dele no Brasil, que a seguir repetimos: \u201cDuas s\u00e3o as imagens de est\u00e1tuas, mais antigas do beato Ant\u00f4nio de Categer\u00f3, no Brasil. Sobre ambas declaram seus administradores, a inexist\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o para comprovar a origem, o artista que as produziu, o mecenas que patrocinou e a data dessa cria\u00e7\u00e3o. Essas imagens al\u00e9m de devocionais s\u00e3o obras de arte, e como tal, pertencem ao patrim\u00f4nio art\u00edstico nacional. S\u00e3o as imagens das igrejas: Matriz de S\u00e3o Pedro e\u00a0 de N\u00aa S\u00aa do Ros\u00e1rio dos Pretos, as duas em Salvador, na Bahia. N\u00e3o se consegue precisar qual das duas \u00e9 a mais antiga, \u00e9 estimado em terem mais de 200 anos cada uma delas.\u201c<\/p>\n<p>Nesse contexto, estas duas imagens devem ser analisadas conjuntamente. Provavelmente, nelas reside toda a identidade do Categer\u00f3 tupiniquim e seus desdobramentos nestes mais de dois s\u00e9culos de exist\u00eancia das devo\u00e7\u00f5es do beato no continente brasileiro. Al\u00e9m dos dados fision\u00f4micos e estruturais dessas duas est\u00e1tuas \u00e9 fundamental, tamb\u00e9m, considerar nesta lucubra\u00e7\u00e3o, \u00a0n\u00e3o a quem passou estas informa\u00e7\u00f5es aos artistas que a confeccionaram as est\u00e1tuas.\u00a0\u00a0Mas, prioritariamente, quem \u00a0passou aos devotos que as demandaram estas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vamos fazer um exerc\u00edcio, de investiga\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, com base em fatos hist\u00f3ricos reais, sobre quem por primeiro descreveu Categer\u00f3 aos escravos. Vamos reunir quatro situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>1\u00aa &#8211; O beato Ant\u00f4nio de Categer\u00f3 n\u00e3o foi, aparentemente, assumido por nenhuma ordem religiosa da \u00e9poca. Porque?\u00a0 E essa conseq\u00fc\u00eancia subsiste at\u00e9 nossos dias. \u00c9 o franciscano, bastante consumido no Brasil, mas n\u00e3o franciscanizado pelos seus irm\u00e3os de ordem;<\/p>\n<p>2\u00aa &#8211; Em 1553 chegam em Salvador 6 jesu\u00edtas para um novo conceito de catequiza\u00e7\u00e3o e s\u00e3o eles que trouxeram e oferecem o Categer\u00f3 \u00e0s senzalas. Mas os Jesu\u00edtas s\u00e3o expulsos do Brasil em 1765. Mesmo n\u00e3o tendo procurado na hist\u00f3ria da igreja, mas tendo certeza pela hist\u00f3ria dos homens, sempre pode \u00a0ter existido um revanchismo, comum nas altern\u00e2ncias pol\u00edticas. E foi isso que ocorreu com os princ\u00edpios que os Jesu\u00edtas apropriavam em seu m\u00e9todo pedag\u00f3gico de intera\u00e7\u00e3o cultural;<\/p>\n<p>3\u00aa \u2013 As senzalas, atrav\u00e9s das irmandades, se tornaram economicamente importantes no cen\u00e1rio religioso. As irmandades de negros e pardos \u00e3o construtoras e mantenedores de capelas e igrejas. Contratantes de muitos servi\u00e7os dos religiosos. Estes elementos hist\u00f3ricos nos permitem inferir o porque de uma \u00a0quase imposi\u00e7\u00e3o de Categer\u00f3, no 5\u00ba andor, dnas Prociss\u00f5es de Cinzas. Tanto que ele, em localidades extremamente distantes como Rio de janeiro e Salvador, sem ter uma ordem que o \u201cbanque\u201d, ele ers o 5\u00aa andor, sendo isso um destaque muito forte, no evento daquela \u00e9poca.\u00a0Essas prociss\u00f5es duraram, em algumas localidades, \u00a0mais de dois s\u00e9culos e quando foram desativadas pela igreja foram sucedidas pelo\u00a0<i>Entrudo<\/i>\u00a0e posteriormente ao<i>\u00a0Carnaval<\/i>. \u00a0E ap\u00f3s a\u00a0supress\u00e3o\u00a0dessas prociss\u00f5es que come\u00e7a ocorrer a estagna\u00e7\u00e3o do crescimento devocional a Categer\u00f3, \u00a0cuja retomada retoma \u00a0o vi\u00e9s da cultura sertaneja do eixo Minas-S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>4\u00aa &#8211; O bispado de Salvador em 1699 \u00a0vetou o uso do menino Jesus nas imagens Categer\u00f3, o que n\u00e3o impediu a exist\u00eancia de algumas imagens assim confeccionadas, mas tamb\u00e9m vetou sua denomina\u00e7\u00e3o para que a hoje, famosa igreja do Pelourinho, fosse igreja de Santo Ant\u00f4nio de Categer\u00f3 e ela foi renomeada\u00a0 de N\u00aa S\u00aa do Ros\u00e1rio dos Pretos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Os-2-Categeros-originais.jpg\"><br \/>\n<\/a><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6361\" alt=\"origem da batina 2\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-2.jpg\" width=\"300\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-2.jpg 300w, https:\/\/categero.org.br\/antigo\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-2-234x200.jpg 234w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Agora avaliemos as duas imagens lado a lado. A primeira uma alegoria barroca com toda a liberdade conceitual art\u00edstica e nenhuma com a realidade fatual. A segunda, uma imagem articulada, nem roca e nem santo de vestir, algo intrigante que infere um uso quem sabe com alguma alegoria em prociss\u00f5es da devo\u00e7\u00e3o. Mas se a primeira tem sua concep\u00e7\u00e3o a partir da cor marrom e floreados dourados t\u00edpicos do barroco, a segunda est\u00e1 mais para a cor marrom escuro.<\/p>\n<p>E \u00e9 sobre essa imagem de Categer\u00f3 que fazemos nossa infer\u00eancia da cor preta em uso na estatu\u00e1ria de Categer\u00f3 na Bahia. A dist\u00e2ncia da porta da igreja at\u00e9 o altar (l\u00e1 no fundo) da Matriz de S\u00e3o Pedro e com pouco ilumina\u00e7\u00e3o, de \u00e9poca, vai provocar a percep\u00e7\u00e3o de escuro, quase preto a dist\u00e2ncia. E \u00e9 esta a concep\u00e7\u00e3o dos artes\u00e3os baianos sobre Categer\u00f3. A maioria de quem o conhece (Categer\u00f3) na Bahia o tem por um santo da batina preta. Esta \u00e9 a cor das imagens de est\u00e1tuas \u00a0postas a venda no mercado Modelo e, outros locais como, \u00a0no Pelourinho. O grande Categer\u00f3 articulado da igreja Matriz de S\u00e3o Pedro deve ser, nesta concep\u00e7\u00e3o, a fonte desse uso e costume. A reprodu\u00e7\u00e3o do beato por escravos n\u00e3o deveria contar com a possibilidade de acesso a um universo de cores, o preto era uma op\u00e7\u00e3o mais simples. Est\u00e1 deveria ser \u00a0a cor da batina dele quando o confeccionavam nas senzalas. E nessa formula\u00e7\u00e3o fica, tamb\u00e9m, a gratid\u00e3o a quem ofereceu Categer\u00f3 aos escravos &#8211; o agradecimento aos religiosos \u00a0jesu\u00edtas, que com suas batinas na cor negra, \u00a0com a cor deles &#8211; os escravos trouxe o ensinamento da palavra de Cristo no exemplo do &#8220;Tio Ant\u00f4nio&#8221;.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6362\" alt=\"origem da batina 3\" src=\"http:\/\/categero.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/origem-da-batina-3.jpg\" width=\"300\" height=\"60\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cor preta do luto, de negro e escravatura ou, de homenagem aos Jesu\u00edtas&#8230; A imagin\u00e1ria brasileira foi bastante criativa ao conceber os atributos f\u00edsicos do beato Ant\u00f4nio de Categer\u00f3. 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